A quem interessa a idéia de um terceiro mandato?

Postado em 28 novembro, 2007
Sob a(s) categoria(s): Mídia, Política |

Quando o Banco do Brasil lançou a campanha “Decida pelo 3″, antes de demonstrar, em segundo momento, que o slogan referia-se à decisão pessoal de fazer três boas práticas por dia que promovessem a sustentabilidade, a revista Veja explorou a paranóia de alguns leitores que temiam ser uma campanha subliminar orquestrada pelo Governo para angariar a simpatia pela idéia de um terceiro mandato de Lula. Não se sabe se a revista tentou descobrir junto à Assessoria de Comunicação do BB ou junto à agência o que significava aquele teaser. O que se viu foi a revista, simplesmente, divulgar as cartas preocupadas dos leitores sem se preocupar, em nenhum momento, em tranquilizar ou esclarecer. A paranóia ao veículo servia. Nenhuma retratação também se viu quando, dias depois, a campanha publicitária mostrou seu complemento.

Nos últimos tempos, vem tomando corpo nas últimas edições da revista e na agenda dos veículos noticiosos, a idéia de uma suposta simpatia de Lula à idéia de um terceiro mandato. O fato de este não ter se manifestado contra a proposta de Hugo Chavez de se submeter indefinidamente ao voto popular, com possibilidade de reeleger-se quantas vezes quisesse seria, de antemão, prova de que o mesmo também pretende fazer o mesmo por aqui e trilhar seu caminho rumo ao absolutismo e cerceamento das liberdades individuais. Entende o silogismo forçado?

Cabe lembrar que o mentor da - cara e bem paga - idéia da reeleição no Brasil, FHC, também não se manifestou contrariamente quando Fujimori propôs um terceiro mandato no Peru e tampouco os noticiários na época associaram o presidente peruano à intenções despóticas por conta da proposição. Entender o que a imprensa considera um achincalhe à democracia varia conforme o protagonista da notícia.

Aos seus interlocutores, Lula nega a pretensão de concorrer a um terceiro mandato. Quando, segunda-feira, na 3ª Conferência Nacional das Cidades, os participantes puxaram um coro pedindo que Lula se candidatasse novamente, o presidente respondeu: “Uma coisa que eu tenho em mente é que a passagem pelo governo tem data de entrada e de saída”. O mesmo havia sido dito em outras palavras domingo ao Jornal O Globo, quando o presidente afirmou ser contra uma segunda reeleição e o mesmo havia sido perceptível quando Lula foi contra o diretório nacional do PT, que planeja lançar um candidato do Partido em 2010. Para Lula, o ideal seria dividir o poder, apoiando um candidato da base aliada. Entre estes, a simpatia é por Ciro Gomes.

No entanto, utilizando “fontes secretas próximas ao governo” (recurso que carece de defesa e comprovação), Veja afirma categoricamente que Lula pretenderá se reeleger novamente e que isso é coisa autoritária e antidemocrática. Porque o prolongamento no poder não o era quando da aprovação da emenda da reeleição é que não se entende ou se extrái das análises.

Lula diz não; Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, diz não; “fontes secretas” dizem que sim. Há como dar crédito?

A quem interessa a insistência no discurso sobre a proposta do plebiscito feita pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) dando suporte a uma outra reeleição? Ao Lula, a julgar pela constante insistência dos veículos em associar a idéia a uma sandice antidemocrática, creio que não. Já a quem tem interesse em aproximar o presidente do rol de protoditadores latino-americanos, a idéia e a insistência em dizer que “não” é “sim” cai como uma luva. Na verdade, a ocasião da proposta petista ter sido feita tão próxima à proposta venezuelana não poderia vir em momento melhor. Se mira em Hugo Chavez e suas sandices enquanto tenta-se atingir Lula com o ricochete.

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Comentários

2 Responses to “A quem interessa a idéia de um terceiro mandato?”

  1. Pedro on dezembro 3rd, 2007 10:58 am

    E nego não se cansa de relacionar coisas irrelacionáveis. Ó o absurdo: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/fernandocanzian/ult1470u350764.shtml

  2. Gabriel Ramalho on dezembro 3rd, 2007 11:38 am

    Tem mais, Pedro. Ditador não convoca plebiscito. A diferença foi pequena e Chávez acatou o resultado.
    Aliás, viste a análise de Kennedy Alencar no Pensata sobre o terceiro mandato? tem link dentro do link que cê mandou.

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