Pelo fim dos abusos sonoros

Posted on junho 5, 2009
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A cena é conhecida e não é novidade que paredão de som é uma praga em Fortaleza. Carros desfilam a qualquer hora do dia ou da noite com caixas de som nas suas carrocerias ou porta malas abertos ou, ainda, estacionam em postos de gasolina tocando músicas no último volume, incomodando todas as outras pessoas que não fariam questão de ouvir o que é imposto.

Faça-se aqui um adendo de que a minha queixa é maior em relação à falta de educação do que ao gosto (para mim, duvidoso) dos DJs de pickups e quatro por quatros. Tive esta percepção uma vez em que um cara parou na frente de uma lanchonete onde eu comia, com Beatles no último volume a saltar do paredão de som. Se até o quarteto de Liverpool se tornava insuportável numa situação dantesca como aquela, o que causava o desconforto não era propriamente a música, mas o desrespeito a quem não pediu pela performance do operador de CD-Player.

paredao11

Algo de bom que vi hoje, independente do fato de eu não ter votado neste candidato, foi a proposta do vereador Guilherme, do PT de Fortaleza, de lançar um projeto de lei regulando sobre a poluição sonora provocada por estes paredões de som. Foi lançado em seu site um abaixo assinado para recolher assinaturas das pessoas favoráveis ao mesmo. Já assinei, inclusive.

Mesmo que o projeto tenha ainda algumas falhas estruturais como, por exemplo, o fato de regular sobre a aquisição dos paredões e caixas de som, em vez de ênfase na fiscalização dos excessos; não estabelecer de forma clara como fiscalizar a autenticidade dos selos com os limites de emissão sonora ou, ainda, como se dará a criação de contingente dentro da SEMAM para ficalizar e punir os infratores, o abaixo assinado serve como bom indicativo da opinião pública e do desejo em reprimir este abuso. Serve, no mínimo, para demonstrarmos nossa indignação.

Como opinião pessoal, acredito que o ideal seria uma lei estadual, permitindo assim o uso não de fiscais da SEMAM, mas do contingente do Ronda para fiscalizar e autuar, uma vez que desconheço se os mesmos podem ser utilizados por força de uma lei municipal. Amigos advogados que me esclareçam. Em todo caso, já assinei. E se você é de Fortaleza, assine também, pelo bem de todos.

Fifa confirma cidades sedes da Copa do Mundo

Posted on maio 31, 2009
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Ao contrário do que disse por aqui, em post recente, as cidades sede da Copa do Mundo, após anúncio oficial da Fifa, neste instante, são as seguintes:
Belo Horizonte, Brasilia, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Igual a tudo num filme de Woody Allen

Posted on maio 26, 2009
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Há quem discorde, eu sei, mas não há para mim mais verdade no cinema sobre as agruras pessoais e a lógica dos relacionamentos do que nos filmes de Woody Allen. Digo isso depois de ter revisto no final de semana “Igual a tudo na vida” , de 2003 (que, inclusive, reprisa de hoje para amanhã, às 02h05, no Telecine Light).

 

cena de Igual a Tudo na Vida

 

Sobre o filme pesam algumas críticas oportunas: o recorrente cenário novaiorquino, o pernóstico e paranóico personagem de Woody Allen (que sempre dá a impressão de interpretar a si mesmo em todos os seus filmes) e as referências a outros títulos da filmografia do diretor, seja na homenagem de cenas ou na reprise de alguns temas. Apesar disso, as situações, a natureza dos diálogos e a dinâmica dos personagens nos faz perceber que por mais que a vida seja cheia de recorrências, qualquer situação aparentemente repetida tem potencial para surpreender. Igual a tudo na vida.

Para quem encontra nos filmes de Woody Allen um espelho para situações já vividas, relacionamentos confusos passados, dúvidas existencialistas e angústias urbanas, várias citações da sua filmografia podem ser um tanto óbvias, como Manhattan, por exemplo. No entanto, um filme que talvez fale bem mais aos que também sofrem seja Annie Hall, aqui chamado “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”.

E Annie Hall, descobri hoje, está integralmente disponível no Youtube, em 10 partes. Então, se você tiver pouco mais de uma hora e meia livre, clicar neste link aqui pode ser uma excelente opção. Ou, ainda, assistir agora.

4 cidades confirmadas como sedes da Copa no Norte e Nordeste

Posted on maio 25, 2009
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Informação que me chega em primeira mão dá conta de que a Fifa teria escolhido 4 cidades como sedes para os jogos da Copa 2014, no Norte e Nordeste.

São elas: Manaus, Belem, Fortaleza e Natal. Há duvidas quanto a escolha de Recife. Salvador estaria fora.

Duas lembranças para Mestre Jonas

Posted on maio 22, 2009
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A primeira lembrança forte que tenho de Zé Rodrix remete à primeira vez que ouvi o rock rural Mestre Jonas, em 2000 e alguma coisa. O que posso dizer a respeito da experiência é que aquilo que Pedro colocava no som chegou aos meus ouvidos e causou uma revolução tão grande que me empurrou a comprar no final-de-semana seguinte uma coletânea de Sá, Rodrix & Guarabyra em um sebo de CDs no Centro de Fortaleza. Não sem antes botar o disco para rodar no sistema de som da loja e descobrir novas paixões instantâneas a cada música.

O segundo fato que me traz lembranças de Rodrix aconteceu um ou dois anos depois quando, a convite de Apá Silvino, entrei para uma seleta lista de discussão de músicos e intérpretes. Num de meus primeiros e-mails buscava informações sobre determinada música. Era um blues de Rosa Marya Colin. Rosa in Blues, o nome. Para minha surpresa, descobri que tal música havia sido produzida por Zé Rodrix. E descobri da forma mais inesperada e emocionante: ao ler o e-mail que escrevia perguntando sobre a canção, o próprio Rodrix me respondeu.

Lembro que a isso se seguiu uma troca de e-mails sobre a música, na qual Rodrix falava do processo do disco, do show que dirigiu para Rosa Marya Colin e falávamos também de blues em geral, ritmo no qual eu costumava me apresentar em Fortaleza. Em algum momento, quando mencionei que nunca havia conseguido localizar Rosa in Blues ou disco que contivesse a faixa, Zé Rodrix se ofereceu para me mandar. Para mim, que era fã, aquele anexo de e-mail adquiriu status de presente.

Zé Rodrix morreu hoje, aos 61 anos de idade, em São Paulo. Pedro Dória fez belíssimo post, com um trecho de texto do próprio músico, imaginando sua morte. O mesmo texto, na íntegra, foi postado pelo Luís Nassif.

Do post de Dória, um video com uma participação do gênio no Programa do Jô é outra coisa com potencial suficiente para virar uma terceira lembrança:


O presente que ganhei de Rodrix, o anexo de e-mail, compartilho com vocês também aqui embaixo. Rosa in Blues, por Rosa Marya Colin:

Sobre pesos e medidas

Posted on maio 20, 2009
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Ontem chegou até mim, via minha amiga @reginaramao um link para um artigo publicado por Thais Naldoni no Portal Imprensa, no qual a mesma respondia a um artigo do ombudsman da Folha de S.Paulo onde este analisava criticamente a cobertura diferenciada do jornal em relação às enchentes no Norte e Nordeste, em comparação com a tragédia em Santa Catarina ano passado. Opinião compartilhada por este blog, inclusive.

O maior incômodo para mim na leitura do artigo foram alguns pontos que destaco e que, em minha compreensão, serviriam quase como uma justificativa para a diferença nos pesos. Neles, inicialmente, a autora se referia ao peso econômico do Sul como possível critério de diferenciação.

Sob uma análise mais livre de preconceitos, no entanto, estranha-se a argumentação pelo fato de a Bahia, por exemplo, um dos estados atingidos de forma severa, ter ficado ao largo das notícias da tragédia, mesmo com um PIB que supera o de Santa Catarina e do Distrito Federal (Consulta ao IBGE permite identificar, ainda, Pernambuco e Ceará entre os dez maiores PIBs estaduais).

A visão do Nordeste como região sem poder econômico ou excessivamente rural e subdesenvolvida não resiste mais a uma análise isenta de pré-concepções e é uma leitura que remonta a tempos em que se buscava nas salas de aula encontrar culpados para o atraso do país recem-industrializado. Disse Thais no artigo, “como leitora, o que achava era que a força econômica dos estados do Sul explicaria a cobertura” para, logo a seguir, complementar com uma perigosa justificativa tendo por critério a quantidade de vítimas fatais nas duas catástrofes, mencionando as 135 mortes em SC em comparação direta com as 44 em oito estados do Nordeste. Como se duas tragédias diferentes pudessem ser quantitizadas pelo número de fatalidades ou que houvesse uma cota mínima de mortos para justificar a relevância jornalística.

Aqui, entro para fazer uma pequena consideração.

Após comentário que postei em seu artigo, Thais entrou em contato comigo por e-mail, de forma bastante atenciosa. Agradeci bastante o fato pois acredito que as ideias se desenvolvam na troca de pontos de vista, principalmente os discordantes, desde que  se apresentem de forma a debater discursos e opiniões.

Ela me apresentou então o fato de ter se incomodado com os números disponibilizados pelo ombudsman na defesa de seu ponto de vista, já que o mesmo não deveria errar nos dados disponibilizados. No entanto, a mim incomodou o fato de ter percebido um uso semelhante, de utilização de dados específicos para justificar um argumento: no caso, a limitação da catástrofe a oito estados e o foco no número de vítimas fatais.

As enchentes já atingem 13 estados, sendo 11 no Norte e Nordeste. Metade do país, que se diga. A quantidade de mortos divulgada tem uma séria dificuldade de precisão, uma vez que não considera as pessoas sem documentos (o que é muito frequente no interior do Brasil) nem as que morreram vítimas de doenças e complicações por conta das chuvas. Sobre a quantidade de desabrigados, a quantidade supera em muito a da outra catástrofe. A pergunta que refaço é a de que, mesmo nos concentrando apenas no Nordeste, oito estados tem peso menor do que um único estado só pela localização geográfica ou número de vítimas fatais?

Continuo achando arriscada qualquer tentativa de comparar as catástrofes. Todos se sensibilizaram com a tragédia em SC e, daqui do Nordeste, ajudamos da forma que pudemos. Tragédia não se quantifica. Empregar informações como as que utilizei aqui em post anterior sobre a quantidade de desabrigados não objetiva comparar as duas tragédias mas, sim, trazer atenção a um descaso da Mídia e dos Grandes meios de comunicação. Estimular-nos à ação.

Por fim, um argumento que Thais utilizou no seu artigo, em minha opinião, careceu de um melhor fundamento de realidade. Não ponho a culpa na autora, mas no próprio desconhecimento do restante do País sobre o Nordeste e suas idiossincrasias. Ou, ainda, na certeza absoluta dos meios de comunicação que falam da Região com toda a propriedade possível mesmo sem ter estado ali alguma vez. Foi o argumento das cheias, que transcrevo:

Outro ponto que vale ser salientado, é que o fenômeno das cheias no Nordeste é sazonal. Ou seja, é esperado que, em determinada época do ano, haja chuvas em demasia e, por conseqüência, as cheias. A população, de uma forma ou de outra, tem alguma noção dos períodos de chuva forte. Já em Santa Catarina, o volume de chuva pegou a população local de surpresa, o que impediu qualquer prevenção.

A informação já incorre numa afirmação que não corresponde à realidade: Não há uma época de cheias no Nordeste.

Há meses de chuva, sim, geralmente coincidindo com o final do verão e começo do outono no restante do país. São chuvas, geralmente em níveis pluviométricos aceitáveis, que caem, principalmente em março e meados de abril. As chuvas fortes que ocasionaram as enchentes vieram depois deste período, durando até agora, maio. Vieram numa quantidade devastadora sem registro na história recente da Região. Como em SC, a tragédia nos pegou desprevenidos.

Por último, ao escrever o artigo, talvez nem tenha sido a intenção, mas quando Thais convida os leitores a lembrar das imagens televisivas das casas caindo, dos barrancos desmoronando e das vítimas desaparecidas, reforça apenas um ponto de vista que cabe bem a este post: tais coisas estão acontecendo (que o digam Granja e Sobral), mas não conseguimos puxar pela lembrança pelo simples fato de não termos visto nada disso nos noticiários.

Banco do Nordeste divulga contas para auxílio em 7 dos estados atingidos pelas enchentes

Posted on maio 18, 2009
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Para quem deseja ajudar especificamente algum estado atingido pelas enchentes, o Banco do Nordeste disponibilizou 7 contas para recebimento de doações em dinheiro.

No Nordeste, os estados do Ceará e Maranhão são os com maior número de cidades atingidas, seguidos por Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco.

Qualquer ajuda é importante, ficando o valor da contribuição a critério do doador. Para doar, estas são as contas abertas em nome do BNB Solidário e, por último, a já divulgada conta em nome da Cruz Vermelha no estado do Ceará.


Estado da Bahia
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Salvador - Centro (046)
Conta Corrente: 11.496-9

Estado de Sergipe
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Aracaju - Centro (005)
Conta Corrente: 12.880-0

Estado do Pernambuco
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Recife Centro (044)
Conta Corrente 17.900-7

Estado do Rio Grande do Norte
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Natal Centro (035)
Conta Corrente: 15.004-0

Estado do Piauí
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Teresina - Centro (056)
Conta Corrente: 18.611-5

Estado do Maranhão
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: São Luis - Centro (059)
Conta Corrente: 27.093-5

Estado do Ceará – Campanha Força Solidária
Banco do Nordeste
Titular: Ajuda Humanitária Cruz Vermelha – Filial Fortaleza
CNPJ: 07.315.986/0001-38
Agência: 016
Conta: 29.393-8

Enchentes - imagens de Salvador

Posted on maio 18, 2009
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Pedro, do Sub-Notas, me mandou via e-mail fotos da situação em Salvador por conta das enchentes.

São imagens que impressionam ainda mais quando se considera que, ao menos para mim, em Fortaleza, a tragédia das enchentes estava passando ao largo das capitais e atingindo apenas o interior dos Estados.

Salvador é a maior capital do Nordeste, e também a mais próxima do centro do poder e das decisões nacionais. Me chocou mais ainda ver que os olhos pra lá também são inexistentes.

Para ajudar a Bahia, você pode procurar a Cruz Vermelha em seu Estado.


Update (18/05 - 17h45min):
O Banco do Nordeste disponibilizou a seguinte conta para recebimento de doações em dinheiro para a Bahia:

Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Salvador - Centro (046)
Conta Corrente: 11.496-9

Sobre Enchentes e Comoção Midiática - ou, ainda, como ajudar as vítimas das enchentes no Norte e Nordeste

Posted on maio 17, 2009
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Em novembro de 2008, Santa Catarina enfrentou uma série de chuvas que, ao final, deixou a cidade sob as águas e cerca de 80 mil pessoas desabrigadas. Face à comoção nacional que se seguiu, grandes veículos de comunicação iniciaram mobilizações em prol das vítimas e a Cruz Vermelha começou campanha de arrecadação de alimentos e roupas. A Cruz Vermelha do Estado do Ceará foi a primeira a iniciar campanha de arrecadação de alimentos. Vejam só, alimentos onde o resto do Brasil imagina haver só fome. Na desgraça, todos se uniram para ajudar. A revista Veja, a de maior circulação no país, apresentava na ocasião uma criança loirinha na capa como sendo a primeira vítima das enchentes, personificando, exibindo um rosto inocente para contrapor ao absurdo daquela catástrofe. Paralelamente, atores globais estrelavam comerciais solicitando auxílio e doando seus cachês à causa.

capa_veja_sc

Desde o início de abril, as regiões Norte e Nordeste sofrem com uma temporada de chuvas que já atingiu mais de 300 municípios. O número de desabrigados, até o momento, ultrapassa 184 mil pessoas. Mais do que o dobro das vítimas de Santa Catarina. Para completar a catástrofe, cidades inteiras estão ilhadas, sem acesso às capitais e pessoas correm risco de morte por não poder se deslocar para hospitais no litoral. Colheitas estão perdidas, rebanhos mortos e várias indústrias (ou o resto do Brasil realmente imagina que não se produz nada no Nordeste?) estão comprometidas, ocasionando em um prejuízo econômico ainda incalculado.

Não se vê, além de ações pontuais (como as das populações do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enviando alimentos e roupas através da Cruz Vermelha, numa sensível mostra de solidariedade), mobilização ou participação da grande mídia em busca de apoio aos atingidos. Nenhuma ação de emissoras grandes, nenhuma capa de revista semanal. Aos olhos do resto do país, talvez a maior das tragédias dos últimos tempos, passa desapercebida e coberto de raspão. Uma tragédia que já traz uma conta de destruição em 11 estados, quase metade do país.

Blogueiros e twitteiros iniciaram campanhas para divulgar notícias e informações sobre as enchentes, além de dados sobre onde e como contribuir. No twitter, a tag #enchentesnordeste está sendo utilizada para posts relacionados ao assunto. Emílio Moreno enviou-me algumas fotos das cidades de Chaval, Camocim, Jaguaruana, Itaiçaba e Itapajé, no Ceará. Marcelo Bloc utilizou as mesmas fotos num slide publicado em seu segundo blog, o Prosa sem Rumo, o qual replico abaixo, para que tenhamos uma muito mínima noção do que está acontecendo debaixo dos nossos olhos:

Isso que as fotos exibem é a situação em apenas cinco cidades atingidas. Multipliquem por 60 e lembrem-se de que há muitas outras em pior situação. Nas piores, não se consegue chegar de carro. Se isso não foi suficiente para atrair a atenção da Grande Mídia, que sirva para chegar às pessoas.


Como posso ajudar?

Algumas empresas no Nordeste (listarei as do Ceará, pela facilidade em obter a lista) abriram posto de coleta para alimentos, mantimentos, roupas e doação em dinheiro.

A Coelce abriu 200 postos de atendimento para receber donativos de 18 de maio até 1º de junho. Os alimentos não-perecíveis doados, bem como arroz, feijão, macarrão, leite em pó e farinha serão duplicados pela empresa. A cada quilo de alimento, a Coelce doa outro.

O Banco do Nordeste aderiu à rede de solidariedade e abriu suas agências em todo o Nordeste para receber donativos. Em cada estado há, ainda, uma conta-corrente específica para receber doações em dinheiro, que pode ser consultada na agência, no momento de entrega dos donativos. No início da semana, a instituição divulgará uma lista das contas estaduais, sendo que a primeira conta, para as vítimas das enchentes no Ceará segue logo abaixo, em nome da Cruz Vermelha.

Doações em dinheiro

Conta da Cruz Vermelha nas instituições com maior penetração no Nordeste:

Caixa Econômica Federal
Ag.: 3281; Operação: 003; C/C: 300-1
Banco do Brasil
Ag.: 3515-7; C/C: 11024-8
Banco do Nordeste
Ag.: 016; C/C: 29393-8

Outras doações (alimentos, roupas e mantimentos)

Agências do Banco do Nordeste

Lojas de atendimento da Coelce

O POVO
Avenida Aguanambi, 282 - José Bonifácio
Fone: (85) 3255 6101

TV Jangadeiro
Endereço: Av Antônio Sales, 2811, Dionísio Torres

Secretarias Executivas Regionais (SERs) de Fortaleza
www.fortaleza.ce.gov.br

Corpo de Bombeiros do Ceará
Fones: (85) 3101 2227, 3101 1078, 3101 2018, 3101 2018, 3101 5662 ou 3392 1195.

Sede da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL)
Endereço: Rua 25 de Março, 882, Centro

Sede da Federação das Indústrias (FIEC)
Endereço: Av. Barão de Studart, 1980, Aldeota

Rede Bancária
Agências do Banco do Nordeste (BNB), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal

Outros estabelecimento
Casas lotéricas, Agências dos Correios, Supermercados Extra e Supermercados Pão de Açúcar

Núcleos do Serviço Social da Indústria (SESI)
www.fiec.org.br/sesi

Cruz Vermelha
Endereço: rua Dr. José Lourenço, 3280, Joaquim Távora
Aberto das 9 às 17 horas
Telefone: (85) 3472 3535


Thahy, que mora em Fortaleza e trabalha em Jaguaruana está diretamente envolvida no auxílio às vítimas da cidade. Em seu post, divulgou a conta aberta pelo município para receber doações.

Burocracia do Governo do CE chega também à Internet

Posted on maio 11, 2009
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Para nós, cidadãos usuários de serviços públicos, a Internet sempre foi um meio interessante para poupar tempo e resolver pendências sem precisar sair de casa.

Através dela, fugíamos das filas, das senhas que nunca são chamadas e daquele interminável troca-troca de guichês. É, fugíamos.

Desde o começo do ano, o Governo do Estado do Ceará embutiu em todos os sites de órgãos a ele relacionados um redirecionamento que aponta sempre para a página inicial do Governo do Estado. Ou seja, se você deseja visitar o site da Secretaria da Fazenda ou do Detran, é automaticamente direcionado à Home do Portal do Governo, num exercício ilógico de contra-usabilidade. Só ali, depois de ver conteúdo que não interessa a você e caçar um bocado, é que se consegue sair para o site ao qual se desejava ir em princípio. No caso, fazendo uma analogia, é como se você chegasse numa repartição, fosse direto ao guichê sem filas e fosse informado que, antes de ser atendido ali, deveria sair, atravessar o bairro e ir buscar uma senha em outra repartição.

O fato foi inicialmente percebido pelo Mário Aragão e pelo Milfontes, que fizeram posts na época, no começo do ano. O que todos nós, blogueiros, imaginávamos então que seria uma situação que rapidamente seria reconhecida como um ato falho (até porque só era necessário UM funcionário no Estado com conhecimento de usabilidade para informar aos responsáveis a barbaridade que era a ideia) e rapidamente desfeita, perdurou até hoje. O motivo, que já era imaginado à época, se comprovou com o release que o Governo do Estado lançou no mês seguinte: Portal do Governo: Mais de um milhão de acessos em um mês. Mas isso é claro! Se o usuário é obrigado a passar por lá em qualquer que seja a sua navegação por sites ligados ao Governo, não teria como haver outro resultado. Ou seja, na ânsia de se FORJAR um resultado em estatísticas de acesso, se penaliza o usuário do serviço público. É quase como se a NET Fortaleza divulgasse que o canal 37, aquele que aparece assim que se liga o receptor, é o canal com a maior audiência. Que audiência, se ninguém passa mais de dois segundos ali?

O release divulgado na ocasião diz o seguinte: “Na avaliação da Casa Civil, a elevação nos índices de acesso podem ser justificados pelo aumento no número de serviços oferecidos para os cidadãos – webservices -, as empresas e aos próprios servidores públicos; a boa navegabilidade e a atualização em tempo real.” Maior distorção é impossível. Os serviços foram ‘desprestados’, uma vez que ao usuário dificultou-se o acesso. A boa navegabilidade não se sustenta como argumento, uma vez que o usuário não chegou ali intencionalmente. Tampouco a atualização em tempo real justifica. O site não é um Portal de informações. Pelo menos, não é este o uso esperado pelos visitantes ludibriados. Atualização em tempo real pode justificar bons acessos a um site que é referência de informação para determinado público, como os de jornais e revistas; mas não o site de um Governo Estadual. No caso, a artimanha é uma só: inflacionar os dados de acesso. E feito de uma forma completamente equivocada.

Quem teve a ideia de fazer esta gambiarra nos sites do Governo parece ter ficado alheio às mudanças ocorridas na Internet. Parece não saber nada sobre usabilidade, sobre padrões ou, ainda, desconhecer que a Internet é composta por pessoas. Pessoas que não tem tempo a perder, que querem achar suas informações com velocidade e facilidade e que ficam descontentes ao ser retiradas de seu caminho normal de navegação (imagine você fazendo o caminho que sempre faz para chegar rápido ao trabalho e, na metade do caminho, ser informado que tem que descer do carro, pegar um ônibus para dar uma volta no bairro e, só depois, entrar no carro de novo pra seguir caminho. Pois é, é algo assim).

E mudanças na Internet ocorreram também quanto à análise das métricas. Mais importante que a quantidade de acessos, hoje, é o tempo que os usuários passaram no Portal, a taxa de rejeição e a taxa de conversões. Se os usuários passam somente o tempo necessário para achar o que procuravam inicialmente, a estratégia foi um grande fracasso. Porque se você tem uma taxa de rejeição próxima de 100% e os usuários não ficam no Portal, você não tem um milhão de acessos. Você tem um milhão de usuários descontentes. Se o Governo do Estado fosse franco, revelaria as estatísticas de tempo de permanência e de rejeição. Mas acho difícil que isso vire release.

Outra consequência da atitude imbecil é a inevitável queda no pagerank dos sites ligados ao Governo. Ora, se todos os links externos deixam de apontar aos conteúdos e passam a apontar para outro site que faz a mediação, é inevitável que se caia a relevância do link para os engines de busca. Ou seja, paradoxalmente, enquanto o Governo do Estado celebra marcas milionárias na quantidade de acessos, para o Google, os sites do Governo são cada vez mais irrelevantes e difíceis de localizar. Numa tacada só, as mentes por trás da ideia, conseguiram prejudicar os usuários e os órgãos públicos.

Se o Governo cria uma artimanha destas para forjar um indicador e inventar uma notícia positiva, é de se imaginar que tal prática seja recorrente nos outros indicadores. E aí se entende as denúncias que vez por outra se escuta, como aquela velha de alunos que são passados de ano sem saber ler para não rebaixar o índice de aprovações nos indicadores da Educação.


Em conversa com outros blogueiros/twitteiros, a saber: @maisanoblogo, @emiliomoreno, @cadun, @eightbits, @rdourado e @silveira, surgiu a ideia de escrevermos posts sobre o assunto, expressando nossas opiniões e tornando público este grande exemplo de contra-usabilidade. A tag que será utilizada no Twitter é a #urlburra, porque não tem outro nome para classificar um equívoco tão absurdo e que é pior como emenda que como soneto.

#urlburra

#urlburra

Silveira Neto escreveu um ótimo post, “Campanha #urlburra” sobre o assunto e é dele a imagem que está aqui em cima.

Emílio Moreno deu sua contribuição no post “#urlburra. Internautas protestam contra pedágio.gov“.

Plínio Bortolotti, ombudsman do O Povo, também escreveu em seu blog, no post “Governo do Estado infla número de acessos ao seu Portal“.

Ressurgindo das cinzas

Posted on abril 28, 2009
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E, então, eu venho aqui depois de bem um mês para informar a vocês que, sim, este blog também sofreu com a pane geral o problema técnico do Blogueisso e todos os arquivos foram perdidos. Posts antigos, comentários, trackbacks, links e os etcétaras. Se, por um lado foi um baque grande perder todo o histórico de posts desde que vim pra cá, por outro foi uma parada bem providencial para que eu repensasse os rumos deste blog. Agora que a vontade de postar ressurgiu (e que, após um mês, eu finalmente consegui retomar o acesso à administração do bichinho — Valeu, Léo!), espero trazer algumas novidades bacanas, tanto no conteúdos como na forma. Vamos ver se pega.

A boa notícia no meio disso tudo é que, graças a uma ajuda da Lucy e ao auxílio do Leonardo, alguns posts, mesmo sem imagens, puderam ser recuperados em um doc e vou ver se consigo ir repostando na sequência. Como cês sabem, tem um feriado chegando por aí. Se o Velox de casa ajudar, um template novo e a recuperação de vários posts estão agendados para este dia do trabalho (mais oportuno, impossível).

Não sei se os posts antigos podem entrar com as datas que eu escolher na hora de postar. Se puder, é ótimo. Se não, vou ver se faço uma triagem do que vale a pena ou não voltar. Aí pretendo aproveitar a oportunidade para trazer coisas até do antigo Silenzio, aquele do Blogger. Memória afetiva, sabe? Se você duvida que eu faça, pode assinar o feed aí só por birra, ok?